Fronteira Queer

Coletivo de psicólogues e psicanalistas LGBTQIAPN+ em movimento

“O migrante perdeu o Estado-nação. O refugiado perdeu sua casa. A pessoa trans perde seu corpo. Todos eles cruzam a fronteira. A fronteira os constitui e os atravessa. Ela os destrói e os derruba.”

-Paul B. Preciado

A crowd of protesters in the street, holding flags and signs, with a Palestinian flag hanging from a bridge above. People are taking photos and raising their fists; some smoke is visible in the background, and the atmosphere appears lively and energetic.

Somos um coletivo de pessoas LGBTQIAPN+ , psicólogues e psicanalistas que trabalham na área social, em diferentes contextos e com diferentes populações. Movimentamo-nos a partir de diferentes lugares, não só geográficos, como identitários e, a partir desses movimentos, também nós, nos permitimos esbarrar com o inevitável questionamento sobre quem somos e para onde vamos.

Enquanto pessoas LGBTQIAPN+ sabemos do espaço vazio que as nossas vidas, existências e narrativas não ocupam nos lugares onde se produzem saberes, se definem práticas e se constroem referências de cuidado. A psicologia e a psicanálise não estão isentas desse processo. Caminham lado a lado com a cisheteronormativade branca e manifestam-se na sub-representação de profissionais queer e na carência de formação especializada em questões LGBTQIAPN+, o que resulta, tantas vezes, em práticas pouco sensíveis e violentas para com as nossas (r)existências. Estas são também as realidades em que nos movimentamos e, é a partir delas, que buscamos criar um espaço de abertura para que pessoas LGBTQIAPN+ se vejam e se encontrem em lugares de cuidado.

Quem somos

No encontro de pessoas que se movimentam entre territórios e identidades, no caminho que se faz na companhia do incerto e desconhecido, fomos encarando as necessidades de cruzamento, de encontro, da construção de lugares coletivos de escuta e de acolhimento. Neste lugar criado pelo tempo, afinidade, carinho e vontade de partilhar junto, fomos entendendo a urgência de espaços onde a nossa autenticidade, subjetividades e narrativas sejam, não só vistas e reconhecidas, como valorizadas e celebradas. Enquanto coletivo de pessoas LGBTQIAPN+ afirmamos a necessidade de espaços de acompanhamento psicológico de pessoas LGBTQIAPN+ para e com pessoas LGBTQIAPN +, em que as diferentes realidades experienciais são exploradas com curiosidade e acolhidas com carinho, honestidade e responsabilidade.

Questionamos igualmente o fazer clínico branco e eurocentrado, tradicional e estagnado, que coloca as pessoas como seres individuais responsáveis pela sua própria “cura”, onde o espaço terapêutico vira um quebra cabeças a ser resolvido rumo à funcionalidade e produtividade. Procuramos desenvolver processos terapêuticos guiados pela subjetividade e interseccionalidade de cada um vários movimentos e trajetórias, tentando criar espaços mais seguros de acolhimento e confiança. Sabemos bem do lugar da vulnerabilidade e precariedade para onde nos empurram diariamente e este coletivo surge também para desafiar essa narrativa, através do encontro, partilha e escuta, em que cada subjetividade e trajetória é vista, reconhecida e valorizada como única e preciosa para este mundo em colapso.

A collage of five images with a central focus on a signpost that reads 'Caminho Atlântico via litoral.' The first image has vibrant text art with the phrase 'Bem da morte a trs foria.' The second image shows green ground cover with small plants and rocks. The third image features a trail sign on a wooden post labeled 'Caminho Atlântico via litoral.' The fourth showcases green leafy plants growing along a path. The fifth depicts a decorative religious image or altar with candles and hanging ornaments.

Como surgiu a ideia?

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